Pesquisa Inédita mostra que policiais querem reforma

Pesquisa Inédita mostra que policiais querem reforma

Estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, FGV DIREITO SP e Senasp indica que os policiais brasileiros acreditam que as polícias deveriam ser organizadas em carreira única, integrada e de natureza civil

 

São Paulo, 29 de julho de 2014 - As forças de segurança pública no Brasil precisam passar por um processo urgente de reorganização para se tornarem mais eficientes. E quem afirma são os próprios agentes de segurança pública. De acordo com a pesquisa “Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública”, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV DIREITO SP) e Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), as polícias deveriam ser organizadas em carreira única, integrada e de natureza civil. A pesquisa será apresentada em entrevista coletiva nessa quarta-feira (30/7), a partir das 11h, na FGV (rua Itapeva, 432, sala 1006 – 10º. andar).

 

Entre os mais de 21 mil respondentes, 73,7% apoiam a desvinculação ao Exército, 93,7% querem a modernização dos regimentos e códigos disciplinares de acordo com a Constituição Federal de 1.988 e 63,6% defendem o fim da justiça militar. “Se considerarmos apenas os policiais militares, 76,1% defendem o fim do vínculo com o Exército. O que é um sinal claro de que o Brasil precisa avançar na agenda da desmilitarização e reforma das forças de segurança”, afirma Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do Conselho de Administração do FBSP e pesquisador do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da FGV DIREITO SP.

 

A pesquisa aponta, entretanto, que não é apenas a organização das polícias que precisa ser reestruturada. Baixos salários (99,1%), formação e treinamento deficientes (98,2%), contingente policial insuficiente (97,3%), falta de verba para equipamentos e armas (97,3%), leis penais inadequadas (94,9%) e mesmo corrupção (93,6%) são alguns dos principais obstáculos para a realização de um trabalho mais eficiente. Segundo 86% dos respondentes, falta foco em resultado e sobra burocracia. 

 

Os dados se refletem, também, em uma ligeira insatisfação com a carreira. Sendo que 34,4% dos respondentes afirmam que pretendem sair da corporação assim que houver uma oportunidade profissional e 38,7% afirmam que se pudessem voltar no tempo teriam escolhido outra carreira. Nesse resultado pesa, também, o fato de 65,9% dos respondentes já terem sido discriminados por ser policial ou agente do sistema de segurança e 59,6% já terem sido humilhados ou desrespeitados por superiores hierárquicos.

 

Ainda na questão comportamental, apesar de 83,7% dos respondentes acreditarem que um policial que mata um suspeito deve ser investigado e julgado pela justiça, e 43,3% afirmam que este mesmo policial deve ser inocentado. Já para 43,2% dos respondentes, um policial que mata um criminoso deve ser premiado pela corporação. Nos dois casos, 77% dos entrevistados creem que policiais envolvidos em ocorrência com resultado morte devem ser afastados da escala normal de trabalho para sua preservação.

 

 

Envolvimento externo

 

Apesar de os próprios policiais reconhecerem a necessidade de mudanças na organização das forças de segurança, e de 87,3% acreditarem que o foco de trabalho das Polícias Militares deveria ser reorientado para proteção dos direitos de cidadania, 53,7% dos policiais afirmam nunca ter participado de nenhuma reunião de conselho comunitário de segurança.

 

Da mesma forma, 87,7% dos entrevistados afirmam que a população deveria participar da decisão sobre as prioridades do trabalho de policiamento no bairro ou região de residência. Contudo, 46,7% acreditam que a comunidade não deveria influir de forma decisiva no afastamento de um policial apontado por vários moradores como violento ou desrespeitoso.

 

A relação com o Judiciário e o Ministério Público (MP) não é menos conturbada. Para mais da metade dos entrevistados (51%) o Ministérios Público não considera as dificuldades inerentes ao trabalho policial e cobra de mais sem colaborar para gerar melhorias. Praticamente o mesmo porcentual (50,4%) pensam o mesmo em relação ao Judiciário. A pesquisa aponta ainda que 14,9% dos entrevistados acreditam que o MP é uma instância que se opõe ao trabalho policial, tornando-o mais difícil, e 18,1% responderam o mesmo sobre a atuação do Judiciário.

 

Nota Metodológica

A pesquisa “Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública” foi respondida por 21,1 mil agentes de segurança pública de todo o País entre 30/6 e 18/7 de 2014. Destes, 52,9% integram a Polícia Militar, 22% a Polícia Civil, 10,4% a Polícia Federal, 8,4% o Corpo de Bombeiros, 4,1% a Polícia Rodoviária Federal e 2,3% a Polícia Cientifica/Perícia.

 

Para ter acesso à pesquisa, clique em [LINK]

 

Serviço

Lançamento da pesquisa “Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública”

Data: 30 de julho

Horário: A partir das 11h

Local: Fundação Getulio Vargas (FGV) – R. Itapeva, 432, sala 1006, Bela Vista, São Paulo, SP

 

Sobre o FBSP

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi constituído em março de 2006 como uma organização não-governamental, apartidária, e sem fins lucrativos, cujo objetivo é construir um ambiente de referência e cooperação técnica na área de atividade policial e na gestão de segurança pública em todo o País. O foco do FBSP é o aprimoramento técnico da atividade policial e da gestão de segurança pública. Por isso, avalia o planejamento e as políticas para o setor; a gestão da informação; os sistemas de comunicação e tecnologia; as práticas e procedimentos de ação; as políticas locais de prevenção; e os meios de controle interno e externo, dentre outras; sempre adotando como princípio o respeito à democracia, à legalidade e aos direitos humanos.

30/07/2014

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